Recentemente a Qlik divulgou um precioso material para apoiar os consultores QlikView a escolherem corretamente os gráficos em suas aplicações, com base na informação que pretendem mostrar. O material trás um guia rápido, baseado no original de Andrew Abela. O guia da Qlik é focado nos tipos de gráficos mais usados no QlikView e QlikSense, mas oferece uma abordagem diferente da matriz de seleção de gráficos sugerida por Stephen Few.

Matriz de seleção de gráficos: Qlik (esquerda) e Stephen Few  (direita)

Matriz de seleção de gráficos: Qlik (esquerda) e Stephen Few (direita)

 Abordagem Qlik:

A matriz sugerida pela Qlik baseia a escolha do gráfico a partir de 4 opções de informação: Comparação, Distribuição, Composição e Relacionamento. A partir desta definição, alguns gráficos são sugeridos, sendo que um total de 8 tipos de gráficos diferentes são utilizados (Barras, Linhas, Blocos, Pizza, Dispersão, Mekko, Radar e Tabelas).

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A matriz é bem simples e intuitiva de entender, embora caibam algumas sugestões.
Por exemplo, ao demonstrar “Comparação através de tempo” (Comparison > Over time), é sugerido que se use gráfico de barras apenas se forem exibidos poucos períodos e poucas categorias. Porém, é sabido que pode-se usar linhas ou barras na análise de tempo, independente do número de períodos ou categorias. A diferença entre as duas formas de representação é que ao usar barras, a comparação individual entre os períodos é mais fácil, e ao usar linhas, a leitura de tendência fica mais explícita, pois nossos olhos percorrem a linha da esquerda para a direita (ao invés de percorrer cada barra individualmente). Também por esta razão é tão comum encontrar gráficos de linhas em dashboards, e não de barras (já que o se quer de um dashboard é uma visão geral das informações mais importantes, e não uma análise mais precisa).

O material ainda sugere o uso de gráficos de radar (para períodos cíclicos) e gráficos de pizza (para demonstrar partes de um todo), que são questionáveis. Gráficos de radar ocupam muito espaço em tela e são pouco intuitivos, já que raramente são utilizados em painéis de análise de dados. Os gráficos de pizza podem eventualmente ser usados, mas apenas se há até 4 ou 5 categorias (fatias) a serem exibidas. Havendo mais categorias, o ideal é usar gráficos de barras com algumas diferenças visuais.

Abordagem Stephen Few:

Diferente da matriz da Qlik, a matriz sugerida por Stephen Few baseia a escolha dos gráficos a partir de 8 relações distintas entre os dados: Análise temporal, Ranking, Parte-do-todo, Desvio, Distribuição, Correlação, Geoespacial e Comparação Nominal. A partir desta avaliação, apenas 4 tipos de gráficos são sugeridos (Pontos, Linhas, Barras e Box Plot).

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A visão de Few não se baseia em nenhuma ferramenta de BI específica, embora as sugestões de gráficos sejam todas nativas no QlikView 11.
Aparentemente essa matriz pode parecer mais complicada, afinal, os 4 gráficos podem assumir várias análises, com algumas observações que são colocadas no próprio material.  Porém ao identificar a relação entre os dados (Análise Temporal, Ranking, etc.) a matriz torna-se muito simples de interpretar.

A reclamação que alguns poderiam fazer é que há poucos tipos de gráficos disponíveis, o que acabaria por tornar a interface de análise visualmente “pobre”. Porém, como se sabe, deve-se evitar a variação pura e simples de objetos de análise de dados, já que a consistência na codificação visual das informações acelera a leitura por parte dos usuários, melhorando sua experiência.

Conclusão:
É importante resistir à tentação de usar muitos tipos de gráficos – como sugerido na primeira abordagem – quando um ou dois tipos poderiam trazer resultados melhores. A matriz sugerida por Abela, e divulgada pela Qlik, pode levar a escolhas confusas, como as citadas acima. De toda a maneira, não há tabela ou matriz que por si só substituirão o conhecimento aprofundado no assunto. As matrizes podem ajudar, mas apenas se o consultor tiver o embasamento teórico adquirido com leitura dos livros de Few, Cairo, Tufte, Kirk e do próprio Abela.